França negocia 36 caças de combate com Brasil
Por Yann Le Guernigou
(Com reportagem adicional de Roberto Samora, em São Paulo)
BRASíLIA (Reuters) - O Brasil entrou em fase final de negociações com a França para a compra de 36 caças de combate Rafale, informaram os dois países em comunicado conjunto divulgado nesta segunda-feira, durante visita do presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao país.
A França, que está buscando o primeiro comprador dos jatos Rafale no exterior, disputou com Estados Unidos e Suécia a venda de 36 aviões para renovação da força aérea brasileira.
O Rafale, fabricado pela Dassault Aviation, estava concorrendo com o F/A-18E/F Super Hornet da Boeing e com o Gripen da sueca Saab.
O contrato do Rafale entre França e Brasil estaria avaliado entre 4,5 e 5 bilhões de euros, e a primeira aeronave seria entregue aos brasileiros em 2013, segundo uma fonte próxima ao presidente francês.
Em troca, a França concordou em comprar aproximadamente uma dúzia de aviões de transporte militar KC-390, que serão fabricados no Brasil pela Embraer, em um contrato avaliado em 500 milhões de euros, segundo a fonte francesa, que pediu anonimato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse no domingo que as conversas com a França estavam bastante avançadas. Os dois países haviam sinalizado uma aliança estratégica na área de defesa no ano passado.
As ações da Dassault Aviation subiram 1 por cento, enquanto os papéis da Saab caíram na Suécia. Os mercados dos Estados Unidos estão fechados nesta segunda-feira pelo feriado do Dia do Trabalho.
Qualquer acordo deve marcar uma grande conquista para Sarkozy, após anos de esforços de seu antecessor para vendas dos aviões de combate Rafale.
Críticos dizem que o preço estabelecido para o Rafale o torna muito caro, mas executivos franceses rebatem a crítica e dizem que o caça tem baixo custo de operação e boa performance.
O Rafale resultou de uma decisão do governo francês de construir seu próprio avião de guerra, tomada nos anos 80.
A França acredita que, garantindo uma vitória para o Rafale, vai ampliar suas chances enquanto o mercado global de aviões de combate mostra aquecimento.
A Dassault Aviation avalia que há "todas as razões" para o Brasil comprar seus caças de combate Rafale, de acordo com o que um porta-voz da empresa informou nesta segunda-feira.
Segundo o representante da companhia, o acordo deve ser concluído em 2010.
SUBMARINOS
Além das negociações relacionadas à Aeronáutica, o Brasil também tem acordo com a França para a produção de helicópteros e quatro submarinos convencionais, segundo acerto firmado entre os governos brasileiro e francês no final do ano passado.
A empresa francesa DCNS, escolhida como parceira do país pela Marinha, informou nesta segunda-feira que já foram assinados "os contratos específicos para o fornecimento de quatro submarinos convencionais e para um vasto programa de Transferência de Tecnologia...", de acordo com nota do Ministério da Defesa do Brasil.
O programa inclui a assistência para a concepção da parte não-nuclear do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear, "bem como para assistência na construção de uma base naval e de um estaleiro naval". De acordo com a nota da DCNS, os submarinos serão construídos pela Itaguaí Construções Navais, uma joint venture formada no final de agosto de 2009 pelo DCNS (41 por cento) e pela brasileira Odebrecht (59 por cento).
"O governo brasileiro terá uma Golden Share na empresa, na qual será representada pela Marinha do Brasil. A expectativa da DCNS é que o projeto criará 700 empregos, sustentados por 15 anos."
Ainda segundo o Ministério da Defesa, o acordo prevê que os quatro submarinos convencionais serão "concebidos em cooperação com as equipes brasileiras dirigidas pela autoridade de concepção do DCNS".
O DCNS informou ainda que prestará assistência na direção do projeto para a construção, por parte da Odebrecht, do estaleiro, além de uma base naval para a Marinha do Brasil.
"O primeiro submarino convencional deverá ser concluído em 2015 e iniciará o serviço operacional em 2017, apto, segundo a DCNS, 'a todos os tipos de missões anti-superfície ou anti-submarino, bem como às operações especiais ou à coleta de informações'", acrescentou a Defesa.